Saiba o que é o período de transição na corrida, como treinar entre temporadas e aproveitar para recuperar, evoluir e evitar lesões.
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Você já fez tudo o que queria fazer com suas corridas nessa temporada? Já treinou e participou de provas o suficiente, atingiu ao menos parcialmente suas metas e se deu por satisfeito(a)? Ou nem tanto, e mesmo assim sente um certo cansaço?


Então você fez por merecer e precisa de um período de sombra e água fresca; você precisa da Fase de Transição.



Esta fase existe ao final da temporada de treinos e provas, que tanto os profissionais quanto boa parte dos corredores amadores cumprem; chamada também de descanso, aplica-se ao individuo submetido a um processo sistematizado de treinamento por temporadas subsequentes.


Ao falarmos de temporadas seguidas, temos que considerar a característica do empilhamento aqui presente. Todo empilhamento é um ponto sensível e requer cuidados específicos, então vamos aos nossos...



A Transição é uma solução de continuidade necessária benéfica do processo sistematizado de treinos; fase que consiste no merecido descanso da rotina das atividades de corredor, ou, as férias dos treinos de corrida.


Ela é ideal quando cumprida com outras atividades físicas visando a manutenção mínima das capacidades gerais adquiridas ao longo da temporada de treinos

- Resistência Cardiovascular

- Força

- Flexibilidade


A transição tem duração de 02 a 04 semanas, com baixo volume e intensidade, e realizada com exercícios aeróbios inespecíficos, ou, diferentes do esporte praticado. Treinos de força, leves a moderados também são bem-vindos, especialmente os funcionais desacostumados.


Por exemplo: se você tem o supino como exercício para a região peitoral, pode substituí-lo pelo apoio, ou flexão de braços; se você fortalece as panturrilhas no modo tradicional, pode substituir pelo modo do corpo inclinado à frente.



Conheci vários atletas de elite que cumpriam uma transição fora do padrão recomendado. Eles ficavam 04 semanas em completo descanso, sem nenhuma atividade física.


Tamanho era o seu esgotamento físico e mental ao final da temporada, que acreditavam mais nos efeitos de até mesmo tentar esquecer da corrida e todas as outras atividades físicas, do que manter algum nível de qualquer tipo de condicionamento.


É difícil mensurar se, e o quanto seriam melhores na próxima temporada, tivessem eles passado por uma transição padrão, já que o esgotamento nesse caso, entra também na esfera mental, onde cada qual responde de diferentes formas e necessidades.


O fato é que, tanto tempo inativo e um calendário altamente exigente pela frente, pode gerar sobressaltos a vários sistemas orgânicos no início da preparação, embora mentalmente já esteja tudo certo e restabelecido.


Apesar de ser uma fase aparentemente inofensiva, pelo baixo volume e intensidade das cargas, a natureza delas pode interferir negativamente e por isso exprime cuidados para não acontecerem os equívocos.


Veja esse exemplo prático: conheci um grupo de ciclistas, com vários atletas de nível olímpico, cuja fase de transição era feita com treinos de corrida leve.


Então, ao final de meses treinando e competindo, os pés que empurravam pedais pela ação das musculaturas fortes de quadríceps, se viam subitamente impactando o solo e transferindo esse tipo de força, que, mais do que aos quadríceps e panturrilhas despreparados para isso, provocava fortes dores às articulações.


Um risco de lesão fora do período mais provável 


Para o caso dos praticantes de corrida, recomendam-se esportes como a natação, ciclismo, remo, caminhada e jogos desportivos, 02 a 03 vezes por semana.


Para a categoria de amadores, pode-se aplicar transição àqueles que correm mais de duas vezes por semana, com volume acima dos 30 km, e que fazem uso dos treinos intensos. 

 

A melhor época para a transição é ao mesmo tempo subordinada ao período de saturação de treinos e provas da temporada vigente e ao calendário das maiores metas do atleta (amador ou profissional) no ano seguinte, que comanda também a Periodização.


Periodização - A forma de distribuição dos tipos e quantidades das cargas de treinos pelos diferenciados ciclos durante a temporada


O corredor amador no nosso país, geralmente cumpre a transição ao final do mês de dezembro, coincidindo, convenientemente, com as festas e viagens de fim de ano, com exceções, das dezenas de milhares que correrão a São Silvestre, por exemplo.  

 

Trata-se ademais, de um período propício para reflexões sobre o que foi a temporada de treinos e participações em provas; o que deu certo, o que precisa melhorar ou ser revisto e o que não seria bom repetir.


É também um ótimo intervalo para fazer e organizar os planos da próxima temporada, como projetar um calendário mínimo de provas e pensar nas eventuais viagens para correr.


A importância da Transição aumenta conforme aumenta a qualificação do atleta; a quantidade e a exigência das competições; o lapso de tempo entre as metas primária e secundárias na temporada; o número de temporadas de treinamentos que se remontam, assim como o volume e a intensidade de treinos a que foi submetido.  


A regeneração dos múltiplos sistemas orgânicos (musculoesquelético, cardiopulmonar, nervoso) e por consequência a prontidão para enfrentar a próxima temporada de treinos, explica a existência dessa fase, reconhecida como fundamental na ciência do treinamento esportivo e verdadeiramente relacionada ao empenho da temporada que se foi e à performance da próxima. 


Portanto relaxe! não é hora de aquisições, mas de um planejado declínio da forma e de regenerações, e tudo bem...porque RESTABELECIDOS todos os sistemas, CORPO E MENTE, você estará pronto para reiniciar num NOVO CICLO, melhor do que o anterior.