Entenda como certos estímulos de treino podem gerar lesões na corrida e aprenda estratégias para prevenir e manter a evolução segura.
O assunto Leses na Corrida pode ser percorrido por vrias rotas e este texto vai abordar duas delas; uma de maneira objetiva, pois que j foi bastante examinada: as Leses Tpicas, com suas regies e pontos anatmicos de manifestao; e outra com maior profundidade porque ser o nosso foco: a Dinmica das Cargas de Treino como fator predisponente original, ou como precursora quando atua como gatilho de um desequilbrio, condio preexistente para as leses.

Juntamente com o aumento da quantidade de praticantes da corrida, houve o aumento do acometimento multifatorial pelas leses, as investigaes para melhor conhec-las na especialidade, e as aes a fim de evitar e ou sana-las.
Sobre o tpico Preveno, pode-se interceder com algum sucesso, pois, geralmente as leses dos corredores de rua so geradas por microtraumas, de desenvolvimento lento, desconforto local que precede a dor e intensidade gradativa da mesma.
A grande maioria das leses desses atletas envia sinais antecipados e um lapso de tempo para ajustes e correes, quando a experincia e percepo aguada de treinador/atleta podem interceder fazendo a diferena entre um processo rpido de reverso da situao garantindo a continuidade normal do processo, e o agravamento da situao, com perdas e outros empenhos no processo de treinos.
E o que propriamente seria a Dinmica das Cargas de Treino?
Essa varivel a essncia do planejamento; elege, hierarquiza, combina, distribui, qualifica, quantifica, temporiza e modifica os diversos tipos de cargas dos treinos obedecendo aos princpios cientficos do treinamento esportivo.
Essa dinmica respeita as individualidades, o que pode e o que no se recomenda para os treinos, as etapas de evoluo, manuteno, regresso e transio dentro do processo; em ultima instncia, concorre para extrair o melhor da forma no ponto em que se precisa, preservando o indivduo ao mximo.
A presena de equvocos aqui, pode significar um dos principais fatores para desencadear leses durante o processo de treinos, tratando-se aqui da prtica regular da Corrida de Resistncia, mas verificado em qualquer modalidade esportiva, nvel ou objetivo do praticante.
Uma boa equao da Dinmica das Cargas responsvel no s por timos resultados, mas tambm por baixos ndices de leses.
Leses Tpicas: Regies e Pontos de Ocorrncia
Verificadas em vrias regies e predominantemente na parte inferior do corpo, as leses que mais acometem os praticantes da corrida so tambm frequentes em trs articulaes: quadril, joelho e tornozelo.
Nas costas temos a lombalgia; no quadril as sndromes do piriforme e do impacto, as bursites e tendinite de glteo mdio; nas pernas os estiramentos, distenses musculares (posteriores das coxas e panturrilhas), as periostites (tbia) e fraturas por estresse (tbia e fmur), nos joelhos a condromalcia patelar e a sndrome da banda iliotibial; nos ps, fascite plantar, tendinite no aquiles e fratura por estresse no calcneo.
A Dinmica das Cargas e as Leses
CARGAS DESPROPORCIONAIS
Cabe aqui o conceito de Carga Externa x Carga Interna. Carga Externa representa os valores convencionados, estabelecidos pelo plano: 45? de corrida contnua a 6?00?/km; 22 kg no supino; 8 x 1000m a 4?40?; etc...ou seja, as medidas que o treinador prescreveu na planilha ou sugeriu verbalmente.
Carga Interna ser o que esses valores representarem para o organismo no momento da execuo: desde as sensaes incuas, passando por aquelas na medida, as que nos interessam claro, chegando s extenuantes e at insuportveis, as quais o mtier costumava chamar de predatrias, e a seus prescritores (secretamente) de quebra-nozes.
A escala de Borg, que classifica o esforo subjetivo, onde a pessoa pontua de 0 a 10 a sensao do esforo dispendido no exerccio, simples e ao mesmo tempo muito eficaz quando bem utilizada, podendo auxiliar bastante na questo das cargas externas x internas.

Atletas experimentados variavelmente conseguem executar at mesmo sequncias de cargas extenuantes, ao menos por algum tempo, j que seu parmetro de desafios e resultados de extremos, sua predisposio mental e sua relao com o esforo so tambm muito diferenciadas.
Tais nveis de cargas so praticadas at mais frequentemente do que podemos pensar, apesar da incoerncia em muitos casos, porqu o empenho por super capacitar provisoriamente, acarretar altos riscos de incapacitar precocemente.
No setor amadorstico ento, no h justificativa alguma, a no ser a impercia, para tal procedimento, e tanto neste quanto no setor profissionalizado, a insistncia dessa condio pode at tardar, mas trar uma pesada fatura.
No h boas justificativas para prescrever cargas extremas aos amadores.
ESTMULOS DESCONEXOS
Um estmulo diferente dos padres momentneos praticados, em natureza e magnitude, geralmente na sua introduo ou reintroduo, como nos casos em que aplicado com grandes lapsos de tempo, tanto possui a dificuldade de assimilao estrutural/orgnica do que se pretende com ele, como pode gerar um impacto negativo ao nvel de leso.
So unidades de treinos fora do contexto, s vezes verdadeiras invencionices comprometendo o equilbrio do processo, depletando energia demasiada, tomando tempo, concorrendo com capacidades importantes a serem desenvolvidas no momento e dificultando a regenerao de tecidos e sistemas.

CARGAS CONFLITANTES
Pense em cargas subsequentes como interao medicamentosa ou alimentar. Temos um medicamento ou alimento com poder de anular indesejada e respectivamente o efeito de outro, e uma situao ainda pior no primeiro caso, onde pode tal administrao concomitante pode causar efeitos muito danosos ao organismo.
Durante o processo dos treinos de Corrida, possvel por um descuido, impor cargas consecutivas, de diferentes naturezas e grandezas ou no, mas conflitantes entre si, tendo como reguladores o tempo de recuperao e a ordem da aplicao entre as mesmas.
A prtica de outros esportes, diferentes solicitaes musculoesquelticas pontuais, e at mesmo sesses alongamento muscular ou de flexibilidade, que em primeira anlise s trazem benefcios, mal colocadas, entram nessa conta.

Ento, ainda que um planejamento de mbito amador no sugira muito treino ao praticante, mas o suficiente em termos de volume e intensidade, ele deve tambm comtemplar a lgica fisiolgica, considerando a natureza e a ordem de aplicao das cargas, os diferentes perodos da preparao e a recuperao entre estmulos.
Resulta que o plano ideal bem dimensiona a quantidade das cargas, gerais e especficas; uma varivel pouco complexa, assim como bem respeita a qualidade delas; uma varivel algo complexa, e tudo verificado pelo contedo e gerenciamento geral, responsvel por evitar as contraposies que podem gerar leses.
Tipo, qualidade e quantidade das cargas so ferramentas cujo domnio facilitam objetivos.
GRADAO DAS CARGAS
Imaginemos algum aprendendo a andar de bicicleta na quarta-feira, porque pretende no sbado, atravessar pedalando uma cidade grande e movimentada, e conhece o caminho s por um mapa...
Vai praticar at na sexta e deve conseguir, j que est decidido...mas no se pode garantir o quanto estar adaptado ao equipamento, qual o real impacto da distncia percorrida no organismo ou nos joelhos, e como se sair no trnsito.

A aplicao repentina de um bloco ou de cargas isoladas de magnitude muito superiores s praticadas no momento, portanto em desrespeito gradao, tambm um caminho obscuro, sem chances adaptativas, produto da queima de etapas e no obstante se cumpra, as consequncias so desconhecidas, porque o organismo e as estruturas do sistema de locomoo nem sempre respondem bem aos sobressaltos.
Estamos falando da carncia da maturao estrutural e orgnica para enfrentar esses desafios, e a participao em distncias maiores de provas sem a devida gradao tambm enquadra-se em situao abrupta.
Respeito aos degraus uma frmula inteligente para a preparao.
PADRES CONSTANTES
Face oposta gradao das cargas. A utilizao dos estmulos repetitivos ou de pequenos blocos deles comumente so observados entre os praticantes da corrida sem orientao especializada.
Nveis moderados de intensidade de cargas repetitivas tambm podem estressar os sistemas orgnico e mental mais do se possa imaginar, com poderes de gerar leses ou no mnimo, impedir aquisies viveis de performance para as competies ou mesmo resultados esperados para a esttica, onde o metabolismo passa a modular o balano da ingesto calrica e gasto energtico de forma desfavorvel e no reage altura para uma possvel perda de peso desejada.
Plats permanentes de condicionamento em atividade especfica devem ser evitados.
Logo no incio dos meus treinos sistematizados j mantinha um dirio por temporada de treinos: primeiro num caderno, depois numa agenda e atualmente num arquivo do word, e essa prtica, que gera uma preciosa fonte, sempre me auxiliou muito.
Sempre que ocorria um percalo ia direto para o dirio, e ali por vezes, encontrava a causa subentendida, quando no implcita mesmo, pelas semanas ou at meses anteriores; aprendia algo sobre aquilo e podia evitar a repetio de eventuais equvocos.
Mantenho esse hbito tambm para todos os meus orientados (exemplo abaixo) e assim nunca me perco sobre a fase em que eles esto e quais as suas possibilidades atuais, trao diagnsticos e prognsticos da preparao e das provas, posso intervir mais precisamente sobre os fatores dinmica das cargas e preveno, e essa uma forma efetiva de reduzir possveis equvocos referentes aos cinco tpicos acima expostos.

04 semanas prescritas para uma orientada, das centenas delas, desde 2007
Lembrando um jogo de xadrez, onde diferentes peas desempenham diferentes funes, com alguma liberdade de escolha para os lances que se articulam e determinam um caminho, com possibilidades de previses reativas, um plano de treinamento de corrida bem pensado contm vrios mtodos, gerais e especficos para melhorar cada uma das capacidades necessrias na preparao do corredor de resistncia, e inmeras combinaes entre eles, o que confere certa flexibilidade no planejamento, limitada pelos fundamentos tericos e caractersticas individuais, onde a subjetividade tem pouco espao, e a sucesso de erros provocar perdas.
Fontes:
Joo Abrantes
http://www.centrodetreino.com/index.php/treino/carga-de-treino
Adriano Leonardi
http://educacaofisica.seed.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=107